Geraldo do Norte, vivendo hoje em Suruí (RJ), é uma viva representação da diversidade cultural do Rio de Janeiro. Nascido em Parelhas, sertão do Rio Grande do Norte, Geraldo produz e reproduz em solo carioca a mais legítima poesia dos bardos nordestinos revivendo em seus poemas a saga de um povo que extrai da terra – sua mais recorrente fonte de inspiração – a matéria lírica e a essência sertaneja que projetaram em todo o território nacional nomes como Patativa do Assaré, Zé Limeira e Cego Aderaldo.

    A par de cativante talento para contar seus "causos" e versos, a verve do matuto pode ser apreciada pela espontaneidade que flui, perene como as águas de seu Seridó, "onde várzeas eram pomares / o leito tinha lugares / que dava o que se plantasse".

    Alerte-se, no entanto, para que tal espontaneidade não seja confundida com falta de acuidade técnica, posto que, se preciso, o "véio" Matuto capricha em sextilhas ou septilhas, dispondo rimas alternadas, emparelhadas ou interpoladas, no mesmo rigor dos 'bilacs "parnasianos. Ou, para se respeitar a geografia sentimental, na mesma métrica do Mestre Patativa.

    Apresentando-se sempre com indumentária do sertanejo, Geraldo "fala" seus textos com tanta sinceridade, com tamanha ligação entre o homem e a obra, que chamá-lo de intérprete ou de ator, seria vê-lo como uma contração. O verso chistoso e a palavra-chicote passeiam do riso franco ao açoite das consciências adestradas. Íntegro, homem e arte se completam, amalgamam-se o rude matuto e o sensível versador. "Cavalheiro cavalo" é como o matuto de Parelhas se autodefine num rojão de sua autoria, gravado por Nandinho do Pandeiro".

    Os primeiros poemas de Geraldo podem ser encontrados no seu CD "Diário de um Poeta Matuto" produzido por Adelzon Alves, cujas prensagens, vendidas de mão a mão, num árduo trabalho de produção independente, esgotaram-se rapidamente em 12 meses, uma verdadeira façanha para quem não dispunha de publicidade e nem divulgação. Seu segundo trabalho em CD ,"Diploma de Nordestino", com a mesma produção do insuperável Adelzon, lançado no início de dezembro de 2000, já aparece sob o signo do sucesso, até onde um independente, debaixo de todos os percalços, pode assim ser considerado. Além dos poemas gerados da boa cepa nordestina, o bardo de Suruí reverencia uma lenda da poesia gaúcha, o velho pajeador Jayme Caetano Braun, reproduzindo dois poemas do vate dos pampas e homenageando-o com um definitivo "Tributo a Jayme Caetano Braun".

    Batendo uma bola na área literária, Geraldo tem dois livros a caminho, já em trabalhos de revisão: "Brigando com a vida" é o título do primeiro; o segundo, "Sua Excelência, o matador". Ambos, embora no terreno ficcional, são baseados em "causos" e fatos ouvidos nas andanças.

    No segmento musical, Geraldo foi vencedor do II Festival de Favelas do Rio de Janeiro e tem músicas gravadas com Jorge Costa, Eliezer Setton (grande atração nos meios artísticos de Alagoas), Nandinho do Pandeiro, Agepê, José Fábio, João Mossoró e outros.

    Seus três CDs, os dois já citados e mais o terceiro, "Alma de Vaqueiro", lançado em maio de 2003, compõem um verdadeiro inventário da alma deste poeta matuto que em 2009, quando comemorará 50 anos de idade, estará lançando seu esperado quarto CD, acompanhado de livro e DVD.